Projeto pioneiro irá adequar rotas representativas de ferramenta europeia para medir eficiência energética em veículos pesados no Brasil

Categoria: Linha V

O Brasil avança em uma iniciativa inédita para mensurar a eficiência energética de veículos pesados no país. Trata-se do projeto “Análise de Rotas Representativas Brasileiras para Simulação da Eficiência Energética na Ferramenta VECTO”, desenvolvido no âmbito da Linha V – Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular, do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), coordenada pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep). A iniciativa atende uma demanda da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

A execução fica sob responsabilidade do Laboratório de Sistemas Integrados (LabSIn), da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com alcance setorial, o projeto recebeu a adesão de seis empresas: Volvo, DAF Caminhões, Volkswagen Truck e Bus, Mercedes-Benz, Scania e IVG, além de outras instituições e especialistas inseridos em ambiente de discussão de grupos de trabalhos da AEA.

O objetivo é definir rotas representativas do território nacional que possam ser utilizadas no VECTO (Vehicle Energy Consumption Calculation Tool), ferramenta oficial da Comissão Europeia para o cálculo de emissões de CO₂ em veículos pesados. A rota gerada irá permitir que o modelo reflita as condições brasileiras de operação, topografia e frota, um passo estratégico para o desenvolvimento tecnológico e a transição energética do transporte de cargas no país.

“O VECTO é uma ferramenta robusta, com forte aderência ao tipo de produto que temos no Brasil. Ela já é conhecida pelas marcas que atuam aqui, então conseguimos adequá-la mais precisamente à nossa realidade”, explica Amauri Pyziak, coordenador de Grupo de Trabalho de Definição de Rota Representativa da Comissão de Emissões e Consumo Pesados da AEA.

Ele destaca que, embora já consolidado na Europa, o VECTO precisa ser ajustado às particularidades nacionais, desde perfis de rodovias até as características dos caminhões brasileiros, especialmente os modelos pesados 6×2 e 6×4, amplamente usados no país. “Nossa topografia é distinta, temos muitas subidas de serra e velocidades médias diferentes. A configuração dos veículos também muda. Tudo isso demanda um estudo para termos algo realmente representativo da operação no país”, observa.

Dados estratégicos e impactos para no setor

A pesquisadora da Unicamp, Ludmila Corrêa Alkmin e Silva, coordenadora do projeto, explica que será elaborado um relatório contendo os resultados da análise de frequências e a definição de uma rota representativa. “Os dados estratégicos serão acompanhados de descrição da metodologia empregada na caracterização de todos os pontos levantados. A proposta é que o ciclo desenvolvido seja estruturado seguindo os padrões utilizados pela ferramenta VECTO, contemplando o perfil de velocidade em função do tempo e/ou da distância, além de informações como tempos de parada e inclinação da pista”.

O projeto tem respaldo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), alinhando-se aos esforços para aprimorar os processos de medição da eficiência energética e fomentar a descarbonização do transporte de cargas no Brasil.

O resultado do projeto poderá apoiar políticas públicas, processos de homologação e desenvolvimento de novas tecnologias energéticas, contribuindo para metas de redução de emissões, inovação industrial e competitividade. “A expectativa é poder entregar uma métrica de como medir eficiência energética e consumo de CO₂ para veículos pesados no Brasil”, afirma Pyziak.

Com o recebimento dos dados, o projeto entrará na fase de análises, simulações e validação das rotas. Para o representante da AEA, esse é apenas o início de uma trajetória de inovação. “Estamos no começo dessa jornada. Ainda há um caminho longo pela frente, mas o projeto é um passo importante nessa direção. Agora começa a parte de analisar os dados, discutir os resultados e definir uma rota comum para todos”, conclui.

Sobre a Linha V do Mover

A Linha V – Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular é um Programa Prioritário do Mover (Mobilidade Verde e Inovação), do Govero Feredral, que desenvolve soluções em mobilidade com foco na eletrificação do powertrain veicular para a alta eficiência energética, utilização de biocombustíveis para a geração de energia e a inovação de sistemas de segurança (ativa e passiva) para a preservação da integridade dos passageiros. 

A iniciativa está alinhada ao processo de reestruturação e modernização do setor automotivo em um contexto de transformações tecnológicas, ambientais e sociais. O objetivo é estimular a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias automotivas nacionais para aumentar a competitividade por meio de iniciativas colaborativas.  O foco é no desenvolvimento de uma economia circular no setor automotivo, reduzindo o impacto ambiental e promovendo uma abordagem mais sustentável para a produção industrial. 

A Fundep é a coordenadora da Linha V. A coordenação técnica é da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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