Foto: Alexandre Xavier, diretor de Engenharia da FPT para a América Latina, e Eduardo Luiz Spilla, diretor Presidente da Mahle. Crédito: FPT.
O projeto “Motor Bi-Fuel de Alta Eficiência a Etanol e Biometano para Aplicação em Veículos Comerciais Leves: Testes Experimentais, Hibridização, Dual Fuel com H2 Verde e Análise da Pegada de Carbono”, desenvolvido por meio da Linha V – Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular, do programa Mover, conquistou o Prêmio AEA ESG 2026, na categoria Inovação Tecnológica e Ambiental.
O reconhecimento foi concedido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) ao paper “Motor Bi-Fuel de Alta Eficiência a Etanol e Biometano para Aplicação em Veículos Comerciais Leves”, apresentado pelas empresas FPT e Mahle, parceiras na execução do projeto conduzido pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). A premiação ocorreu em São Paulo.
O trabalho teve como autores Alexandre Xavier, Daniel Junqueira, Evandro da Cruz, Everton Lopes, Heitor Chaves e Pedro Venancio.
De acordo com Alexandre Xavier, diretor de Engenharia da FPT para a América Latina, o reconhecimento reforça o potencial das soluções desenvolvidas para contribuir com a descarbonização do transporte. “Esse reconhecimento demonstra que estamos trilhando um caminho consistente para viabilizar a descarbonização do setor de transporte. Além disso, reforça a visão da FPT de que a transição energética será construída por meio da multienergia, aproveitando o potencial energético de cada região e integrando sustentabilidade, eficiência e viabilidade operacional”, destaca.
O Prêmio AEA ESG tem como objetivo reconhecer empresas, universidades e institutos de pesquisa que desenvolvem iniciativas voltadas à melhoria de processos, produtos e serviços, considerando aspectos ambientais, sociais e de governança. A premiação também contempla trabalhos jornalísticos que contribuem para ampliar o debate sobre esses temas.
Projeto valida testes experimentais
Encerrado em maio deste ano, o projeto teve como objetivo aumentar a eficiência da conversão energética, reduzir emissões de poluentes e desenvolver tecnologias aplicadas a motores da FPT. A iniciativa também viabilizou a criação da infraestrutura do Laboratório de Ensaios em Motores de Combustão Interna com Novos Biocombustíveis (HVO, H₂ e GNR) da UNIFEI.
A Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) aportou R$ 3,1 milhões no projeto por meio da Linha V – Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular, do programa Mover.
Segundo o coordenador-geral da iniciativa e pesquisador da UNIFEI, Christian Jeremi Coronado, os resultados foram relevantes tanto para a indústria quanto para a academia. “Do ponto de vista da pesquisa, conseguimos validar os testes experimentais realizados em nosso banco de ensaios na UNIFEI, comparando-os com os ensaios conduzidos no Tech Center da FPT, em Jundiaí. Essa validação foi fundamental para comprovar a confiabilidade dos procedimentos experimentais e dos resultados obtidos”, afirma.
Coronado destaca ainda o caráter inovador da tecnologia desenvolvida. “O projeto permitiu transformar um motor originalmente concebido para operar com gás natural e gasolina em um motor bi-fuel capaz de utilizar etanol e gás natural veicular, mantendo os mesmos níveis de potência e eficiência. Além disso, o sistema também foi avaliado com biometano, um combustível renovável com grande potencial para substituir o gás natural no contexto da transição energética”.
De acordo com o pesquisador, o principal foco do desenvolvimento foi a aplicação do etanol, atendendo a uma demanda estratégica da indústria nacional. “A maior parte dos testes, calibrações e validações foi realizada com etanol, atendendo a uma necessidade apresentada pela empresa parceira. Como resultado, conseguimos elevar a tecnologia ao nível de maturidade tecnológica TRL 7, demonstrando sua viabilidade em condições próximas às de aplicação real”.
Os resultados também foram avaliados de forma positiva pela FPT. Alexandre Xavier ressalta que o projeto comprovou a viabilidade técnica de uma solução capaz de operar com etanol e biometano sem comprometer o desempenho.
“Além dos avanços tecnológicos obtidos, o projeto evidencia o valor da colaboração entre indústria, universidades e centros de pesquisa para acelerar a inovação. Desde as etapas de simulação até os testes em bancada, todas as fases proporcionaram uma intensa troca de conhecimento entre engenheiros e estudantes envolvidos”, reforça o diretor de Engenharia da FPT .
Segundo ele, a iniciativa fortalece a capacidade da empresa de desenvolver soluções alinhadas às demandas do mercado e aos desafios da transição energética. “Os resultados alcançados ampliam nossa base de conhecimento tecnológico, elevam o grau de maturidade da solução e fornecem dados concretos para avaliar sua aplicação em escala comercial. Mais do que isso, fortalecem o posicionamento da empresa como protagonista no desenvolvimento de tecnologias voltadas à descarbonização, oferecendo ao mercado alternativas que conciliam desempenho, competitividade e redução da pegada de carbono”.
Formação de recursos humanos

Foto: Banco de Ensaios de Motores com BioFuel Avançados. Da esquerda para direita: Christian Coronado, coordenador do projeto, Prof. Luiz Fernando Valadão Flores, diretor do Instituto de Engenharia Mecânica da Unifei (in memorian), Alexandre Xavier, diretor de Engenharia da FPT Industrial, Gustavo Teixeira, gerente de Inovação da FPT Industrial, Evandro Cruz, gerente da área de Calibração de Motores da FPT Industrial, e Prof. Edson da Costa Bortoni, reitor da UNIFEI. Crédito: UNIFEI 2023.
Além dos avanços tecnológicos, o projeto teve papel relevante na formação de recursos humanos e no fortalecimento da pesquisa científica. Ao longo de sua execução, a iniciativa resultou em mais de 38 trabalhos publicados em congressos, quatro artigos científicos publicados em periódicos e outros quatro atualmente em processo de avaliação.
“Ao longo dos três anos e meio de execução, o projeto contribuiu diretamente para a capacitação de estudantes de graduação, mestrado e doutorado. Além disso, utilizamos ferramentas avançadas de simulação fluidodinâmica e modelagem computacional, como o GT-Power, que permitiram validar e complementar os resultados experimentais. A integração entre experimentação, simulação e estratégias de hibridização foi essencial para o sucesso da pesquisa”, destaca Coronado.
Para o pesquisador, o prêmio representa o reconhecimento do esforço coletivo realizado ao longo dos últimos anos. “Esse prêmio representa o reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos três anos e meio. Ele valoriza o esforço da equipe, os investimentos realizados em infraestrutura, a evolução dos nossos bancos de ensaio e a qualidade das pesquisas conduzidas na UNIFEI”.
Segundo Coronado, a conquista reforça a relevância da universidade no cenário nacional de pesquisa em motores e combustíveis alternativos e serve como incentivo para novos projetos e parcerias voltados à inovação e à descarbonização do transporte.
SOBRE A LINHA V DO MOVER
A Linha V – Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular, do programa Mover, desenvolve soluções em mobilidade com foco na eletrificação do powertrain veicular para a alta eficiência energética, utilização de biocombustíveis para a geração de energia e a inovação de sistemas de segurança (ativa e passiva) para a preservação da integridade dos passageiros. A iniciativa está alinhada ao processo de reestruturação e modernização do setor automotivo em um contexto de transformações tecnológicas, ambientais e sociais.
O objetivo é estimular a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias automotivas nacionais para aumentar a competitividade por meio de iniciativas colaborativas.
Liderada pela Fundep, A Linha V tem coordenação técnica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
