Programa Mover disponibiliza simulador online gratuito para medir e comparar a pegada de carbono de veículos leves produzidos no Brasil

Categoria: Linha V, Mover

Já está disponívelplataforma Mover-se, um simulador setorial online e gratuito desenvolvido para apoiar a avaliação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) de veículos leves produzidos no Brasil. A ferramenta surge para preencher uma importante lacuna no país: a ausência de instrumentos acessíveis e padronizados de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) capazes de analisar os impactos ambientais da produção automotiva de forma integrada e alinhada à realidade nacional.  O lançamento oficial ocorreu durante Live realizada nessa-terça-feira (16/06), pelo Youtube.  

Desenvolvida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), em parceria com a Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (FEM/Unicamp), a plataforma é um dos principais resultados do projeto “Do berço ao portão: Pegada de carbono da produção de veículos leves fabricados no Brasil”, realizado no âmbito da Linha V – Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular, do programa Mover, coordenada pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep). 

Para a analista de programas da Fundep, Janaína Silva, o lançamento da ferramenta representa a consolidação de um trabalho construído ao longo de vários anos por diferentes atores do ecossistema automotivo. “Desde o início, o projeto teve como objetivo desenvolver uma base técnica robusta para apoiar as discussões sobre avaliação do ciclo de vida e emissões de gases de efeito estufa no setor. Hoje, entregamos uma ferramenta gratuita, acessível e fundamentada em dados reais, que permitirá ampliar o conhecimento sobre a pegada de carbono dos veículos leves produzidos no país e apoiar decisões cada vez mais qualificadas para o futuro da mobilidade”, destaca. 

Resultado de um estudo inédito 

A plataforma Mover-se é fruto de um projeto de pesquisa que, ao longo de 36 meses, quantificou de forma detalhada as emissões de gases de efeito estufa associadas à etapa de fabricação de veículos leves no Brasil. 

Um dos principais diferenciais da iniciativa foi o uso de dados primários fornecidos diretamente por empresas da cadeia automotiva e a adaptação da metodologia ao contexto brasileiro, processo conhecido como “tropicalização” dos dados. Até então, grande parte dos estudos sobre emissões na produção automotiva utilizava bases internacionais, que nem sempre refletem as características da matriz energética e das condições industriais do país. 

Para entender o impacto da fabricação nacional, a equipe do projeto analisou 12 veículos representativos do mercado brasileiro (hatch, sedan e SUV), abrangendo modelos a combustão (ICEV), híbridos (HEV), híbridos plug-in (PHEV) e 100% elétricos (BEV). A pesquisa teve 36 meses de duração e mobilizou uma equipe de 26 pesquisadores, contando com a colaboração de 15 empresas parceiras e 11 associações setoriais. O aporte total da Fundep foi de R$ 6,5 milhões, por meio do programa Mover. 

“Um dos maiores desafios encontrados quando iniciamos este projeto foi a escassez de informações específicas sobre as emissões geradas na etapa de fabricação de veículos leves no contexto brasileiro. Grande parte dos estudos disponíveis utilizava referências internacionais ou bases de dados que não refletiam adequadamente a realidade nacional”, explica o pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, Lucas Souza. 

De acordo com ele, uma das principais contribuições do projeto foi a geração de conhecimento baseado em dados primários fornecidos diretamente pelas empresas parceiras. Isso permitiu desenvolver fatores de emissão adaptados ao cenário brasileiro e construir uma metodologia transparente e tecnicamente robusta. “A ferramenta nasce justamente desse esforço coletivo, oferecendo ao setor automotivo, à academia e aos formuladores de políticas públicas um instrumento capaz de ampliar a compreensão sobre as emissões da cadeia produtiva e apoiar estratégias mais eficazes de descarbonização”. 

Como funciona o Mover-se 

Disponível gratuitamente em mover-se.fgv.br, a plataforma foi concebida para transformar o conhecimento técnico gerado pela pesquisa em uma ferramenta prática de apoio à tomada de decisão. 

O simulador permite calcular e comparar a pegada de carbono de veículos leves considerando diferentes tecnologias de motorização, composições de materiais, fatores de emissão e cenários produtivos. A ferramenta também possibilita a criação de veículos personalizados e a simulação de diferentes estratégias de redução de emissões. 

Segundo Tiago Zillio, pesquisador do FGVces, a ferramenta possibilita analisar distintas tecnologias de motorização, fatores de emissão, composições de materiais e configurações produtivas, oferecendo uma visão detalhada das fontes de emissão ao longo da cadeia de fabricação. “Mais do que calcular emissões, ela permite identificar oportunidades de melhoria, testar estratégias de redução de impactos ambientais e apoiar a construção de decisões baseadas em evidências. Esperamos que a plataforma contribua para fortalecer a cultura de gestão de carbono e acelerar a transição para uma mobilidade mais sustentável no Brasil”.  

Impacto setorial 

O projeto “Do berço ao portão” tem origem na percepção de que a pegada de carbono se tornaria um dos temas centrais das futuras políticas públicas para o setor automotivo.  Carlos Sakuramoto, representante da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), reforça que antes da implementação do programa Mover, já foi identificada a necessidade de desenvolver uma metodologia capaz de medir, de forma consistente e padronizada, os impactos ambientais associados à fabricação de veículos.  

“O grande valor desta iniciativa está justamente na construção de uma linguagem comum para toda a cadeia produtiva. Com fatores de emissão transparentes, metodologias harmonizadas e acesso público às informações, passamos a ter condições reais de comparar resultados, acompanhar a evolução das empresas e gerar subsídios técnicos para políticas públicas voltadas à descarbonização. É um projeto que fortalece não apenas a indústria, mas todo o ecossistema de mobilidade sustentável no Brasil”, exalta Sakuramoto. 

De acordo com o pesquisador do Centro Universitário FEI, Ronaldo Gonçalves, integrante da coordenação técnica da Linha V do programa Mover, o projeto é um exemplo concreto dos resultados que podem ser alcançados quando governo, indústria e instituições de pesquisa trabalham juntos. “Além de gerar dados inéditos para o contexto brasileiro, a iniciativa fornece informações estratégicas que poderão orientar investimentos, pesquisas e políticas públicas voltadas para uma mobilidade mais sustentável”.  

Sobre o projeto

O projeto “Do berço ao portão” tem como objetivo determinar e avaliar a pegada de carbono de veículos leves do tipo automóvel fabricados no Brasil, em conformidade com os requisitos das normas internacionais de Avaliação do Ciclo de Vida (ISO 14040:2006 e ISO 14044:2006). O propósito é quantificar os impactos relacionados às mudanças climáticas ao longo da etapa de produção dos veículos, abrangendo desde a extração de matérias-primas até a fabricação final. Adicionalmente, busca mapear as principais fontes de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e identificar oportunidades de mitigação, bem como realizar benchmarking internacional, de modo a comparar o desempenho da produção nacional com o de outros países.

A iniciativa, selecionada pela Fundep por meio de Chamada Pública da Linha V – Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular, do programa Mover,  responde a uma demanda estratégica do setor automotivo e foi estruturada em colaboração com associações e empresas representativas da cadeia produtiva. Nesse contexto, o projeto contribui para o posicionamento da indústria brasileira em padrões globais de sustentabilidade, ao mesmo tempo em que subsidia o aprimoramento da gestão das emissões atmosféricas no país.

Coordenador geral: Mario Monzoni

ICT: Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces)

ICT Associada: Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (FEM/Unicamp)

Aporte: R$ 6,5 milhões

  • Becomex
  • Bosch
  • Gerdau
  • GM
  • Honda
  • Jaguar e Land Rover
  • Lwart
  • Metalpo
  • Nissan
  • Prolind
  • Renault
  • Stellantis
  • Toyota
  • Usiminas
  • Volkswagen
  • Evbras
  • Tupy
  • AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva)
  • ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores)
  • SINDIPEÇAS (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores)
  • ABAL (Associação Brasileira do Alumínio)
  • ABTB (Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha)
  • ABIPLAST (Associação Brasileira da Indústria do Plástico)
  • REDE ACV (Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida)
  • ABIVIDRO (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro)
  • ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção)
  • IABR (Instituto Aço Brasil)
  • IQA (Instituto da Qualidade Automotiva)

Publicações

Consulte os relatórios do estudo e acesse evidências técnicas sobre a pegada de carbono da produção automotiva no Brasil.

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