Com recorde de público, Mob Talks Caxias do Sul discute competitividade do setor ferramental

Categoria: Linha IV

Cerca de 170 pessoas se reuniram no Centro de Treinamento da Marcopolo, em Caxias do Sul, para participar da 3º edição do Mob Talks da região. Com isso, a cidade gaúcha bateu o recorde de participações da série de encontros que têm como objetivo mobilizar atores do ecossistema ferramental pelo crescimento e competitividade do setor ferramental no país.

O Mob Talks é uma iniciativa do Conecta Mais, uma das ações da Linha IV – Ferramentarias Brasileiras Mais Competitivas, do programa Mover, coordenada pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep). O evento foi criado para engajar as regiões polo de ferramentarias mapeadas pelo Programa Prioritário. Essa é uma das ações que colaborou para que as ferramentarias de locais estratégicos pudessem tirar suas dúvidas e estabelecer um vínculo de confiança com a fundação, que apoia as empresas com jornadas de inovação e iniciativas de formação e capacitação.

A programação do Mob Talks Caxias do Sul 2025 foi norteada pelo tema “Mercado, Estratégia e Competitividade”, com painéis e palestras voltadas critérios de ampliação da maturidade profissional das ferramentarias, como o controle financeiro, fornecimento para montadoras e sistemistas, melhorias técnicas e estratégias de mapeamento das atividades.

O agente de relacionamento do Conecta Mais na Região, Valdinei Correa, considera que a edição histórica atingiu seus objetivos. “Foi um encontro técnico e altamente produtivo, com debates sobre automação, competitividade, finanças, capacitação e o futuro das ferramentarias, reunindo indústria, fornecedores e especialistas em um único ecossistema”, comentou, estendendo agradecimentos à equipe da Marcopolo pela acolhida.

Para encerrar a tarde de conteúdos e interação, a Marcopolo disponibilizou um tour guiado pela unidade Ana Rech, que foi inaugurada em 1981 e é a maior planta fabril da Marcopolo no mundo.

Confira destaques da programação:

Protagonismo

Um dos pontos de destaque do evento foi a apresentação dos números da região. Das 570 empresas do setor de ferramentaria automotiva cadastradas na Plataforma Conecta Mais, 195 são do polo Caxias do Sul. Isso corresponde a quase 22% dos cadastros na plataforma. A região não se destaca apenas em quantidade de participantes. Até hoje, já foram realizadas mais de 200 jornadas de inovação, cerca de 35% do total da plataforma.

O módulo de capacitação também faz sucesso em Caxias do Sul, que soma mais de 28 mil pontos convertidos em matrículas para os cursos disponíveis. São 101 ferramentarias engajadas em capacitar suas equipes, o que corresponde a mais de 80% de aderência. Caxias é top 1 na utilização de pontos, com 43% de aproveitamento, cerca de 24% a mais do que a média dos demais polos de ferramentarias.

Melhorias técnicas e caminhos estratégicos

O primeiro painel do dia teve como tema Como a automação CAM, paletização de eletrodos e software de gestão podem ampliar produtividade e reduzir custos em ferramentarias. O debate reunião questões técnicas e gerenciais, com cases de sucesso da implementação de jornadas voltadas à ampliação da competitividade com mudanças operacionais e processuais. Participaram do painel o representante da Ferramentaria NTC, Bernardo Shen, o gestor da Moldar, Diogo Bazzi e o consultor, Fábio de Lima, que apoiou as ferramentarias convidadas para o painel a melhorar processos que envolvem CAD e CAM e técnicas de usinagem.

No segundo momento de debate, o coordenador da Bruning Tecnometal, Jacson Weber, e o gerente da ferramentaria Marcon, Gabriel Marcon, se uniram ao consultor da HLMS, Hugo Souza, para abordar o tema O futuro das ferramentarias: construindo resultados com o Roadmap.

O coordenador da Bruning Tecnometal, Jacson Weber, destaca como a estratégia ganha clareza quando o Roadmap é implementado. “Quando entramos no programa, entendemos que muitos dos desafios são comuns entre as ferramentarias. O Roadmap mostrou que a Indústria 4.0 começa na cultura, assim como o molde começa no projeto. Ter alguém que ajude a organizar os caminhos, entender onde estamos e para onde queremos ir faz diferença. Essa orientação melhora a gestão, dá mais tranquilidade para quem administra e cria condições para que as pessoas trabalhem melhor. No fim, processos bem estruturados refletem no negócio como um todo”, afirma.

A opinião é compartilhada pelo gerente da ferramentaria Marcon, Gabriel Marcon, que conta sobre os resultados da prática na empresa. “Já tínhamos interface com BNDES e Lei do Bem, e o PD&I, que é uma área bem estruturada na empresa, nos levou a conhecer a Fundep. Nosso propósito é melhorar questões estratégicas. Cinco anos atrás, desenvolver um produto levava cerca de 180 dias. Hoje, com a plataforma Conecta Mais apoiando a ferramentaria, entregamos em 99 dias. Agora buscamos o próximo passo. Com o Roadmap temos um início, meio e fim bem definidos na área e queremos continuar avançando”, explica.

O consultor da HLMS, Hugo Souza, apoiou diversas ferramentarias por meio da plataforma Conecta Mais. Ele está no Brasil há 15 anos trabalhando no setor e contou sobre sua experiência ao observar a prática de outros países. “Em Portugal, vi de perto como o associativismo muda a realidade das ferramentarias. Aqui no Brasil, o Mover começa a construir esse senso de união que o setor tanto precisa, aproximando quem quer aprender, trocar e crescer junto. Quando a gente fortalece as pessoas, todo o ecossistema responde”, comenta.

Foco nas finanças

Com o fim do ano se aproximando, o momento é decisivo para organizar balanços, rever resultados e planejar o que vem pela frente. Esse cenário deu o tom do terceiro painel do Mob Talks, Finanças inteligentes: a controladoria como alicerce do crescimento das ferramentarias.

Vainder de Melo, consultor da VMCON, abriu o debate com um alerta simples e direto. Ele lembrou que muitas empresas são excelentes em desenvolver produtos, mas nem sempre cuidam dos próprios custos. Ele aproveitou o encontro para questionar se as ferramentarias já estruturaram o orçamento de 2026 e se contam com profissionais preparados e valorizados na controladoria, já que grande parte das empresas ainda não consegue resolver sozinha seus principais desafios financeiros.

A fala de Vainder foi de encontro ao case apresentado pelo diretor da Ferramentaria Orion, Renato Verona. Ele relatou que a empresa via um volume alto de trabalho sem retorno claro. ” A gestão precisa ter base em dados, e o dono da ferramentaria precisa acompanhar o caixa de perto. Com mais informação, organização e uma visão mais precisa da operação, ampliamos a previsibilidade e temos mais segurança para planejar os próximos passos”, conta.

Fornecimento para grandes empresas

O quarto painel do evento tratou dos requisitos que definem o caminho do fornecedor que quer atuar com montadoras e sistemistas. Participaram Alison Salomoni, gerente de aquisição da Marcopolo, Claudiney Carvalho Gatti, diretor de engenharia de processo avançado da Cooper Standard, Wallisson Ailton Zanatelli, gerente de matrizaria e usinagem da Cooper Standard, e Bruno Rodrigues Camargo, representando a Finep.

Alison explicou que a Marcopolo importa muito pouco ferramental e mantém a prioridade em trabalhar com parceiros locais. “Entre mais de 700 moldes, importamos 22 este ano. Nosso maior gargalo é prazo, por isso buscamos quem consiga entregar com velocidade e ajustes rápidos”, afirmou. Ele destacou que a empresa segue ampliando seu portfólio até 2028, o que aumenta a demanda por moldes e reforça a importância da indústria nacional, mesmo quando alguns projetos específicos exigem know how ainda não disponível no país, o que pode ser uma oportunidade para o setor ferramental local.

O gerente de matrizaria e usinagem da Cooper Standard, Wallisson Ailton Zanatelli, destacou que a evolução técnica ampliou a confiança interna e externa. “Descobrimos que tínhamos capacidade de entregar melhor do que buscávamos fora. Preço importa, mas resposta rápida e qualidade pesam igual”, afirmou. Para ele, estudos financeiros e melhorias internas reduziram ociosidade, aumentaram a competitividade e ajudaram a criar um modelo que virou referência dentro da corporação, além de antecipar tecnologias que só devem chegar ao mercado brasileiro nos próximos anos.

Representando a Finep, Bruno Rodrigues Camargo apresentou as principais linhas de apoio para empresas que querem avançar tecnologicamente. Ele lembrou que existem opções de crédito competitivo e editais com recursos não reembolsáveis, com apoio disponível pela rede de agentes financeiros do Inovacred, além de chamadas voltadas à transformação digital e ao desenvolvimento tecnológico. Bruno citou ainda a chamada Mover, que destina R$ 100 milhões a projetos em diferentes estágios, e adiantou que novas chamadas serão lançadas nos próximos meses.

Galeria de fotos

Sobre a Linha IV

A Linha IV –  Ferramentarias Brasileiras Mais Competitivas tem como propósito superar os desafios enfrentados por ferramentarias com baixa produtividade e defasagem tecnológica. O foco é capacitar a cadeia de ferramentais de produtos automotivos, visando alcançar competitividade em nível global. 

Alinhada ao compromisso de neoindustrialização, centrada na inovação, a frente de atuação concentra suas iniciativas na otimização de prazo, custo e qualidade ao longo das diferentes fases do ciclo de vida de produção de ferramentais. Dessa forma, busca-se capacitar as ferramentarias brasileiras não apenas para atender à demanda nacional na fabricação de veículos, mas também para conquistar uma posição destacada no mercado global. 

Liderada pela Fundep, a Linha IV tem coordenação técnica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). 

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