Projeto desenvolve tecnologia que transforma manutenção preditiva e aumenta a segurança dos veículos

Categoria: Linha VI

Pesquisa avança na automação da classificação de vias e promete mais segurança, eficiência e sustentabilidade para o transporte brasileiro

O projeto ROAD – Análise Automática de Vias para Manutenção Inteligente de Veículos, desenvolvido por meio da Linha VI – Conectividade Veicular, do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), coordenada pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep), está avançando significativamente na era da manutenção preditiva e da mobilidade inteligente.  

A iniciativa é coordenada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e busca desenvolver uma tecnologia inovadora que utiliza inteligência artificial, sensores de baixo custo e reconhecimento de imagens para classificar automaticamente os tipos de via percorridas por veículos em tempo real. Dessa forma, o projeto tem potencial para transformar práticas de manutenção preditiva de veículos comerciais, aumentando a segurança e reduzindo custos operacionais. 

O projeto tem um aporte total de R$1,4 milhões, com contrapartida de R$299 mil de empresas parceiras, incluindo Volkswagen Caminhões e Ônibus, Fiat Chrysler, Peugeot Citroën, Renault e Bosch. Iniciado em maio de 2024, a previsão de encerramento é em novembro deste ano, após cerca de 18 meses de execução. 

Segundo a coordenadora do projeto e professora da UFPE, Veronica Teichrieb, o ROAD apoia a tomada de decisão em manutenção de veículos de forma mais assertiva, considerando as condições específicas das vias por onde transitam. “Essa abordagem inovadora permite uma manutenção mais dinâmica, baseada em dados reais, e oferece mais segurança tanto para os operadores quanto para os demais usuários do transporte”, explica. 

Treinando os algoritmos

Desde o início, a equipe do projeto tem realizado coletas de dados em diversas regiões do Brasil, incluindo a pista de testes da Volkswagen Caminhões e Ônibus, em Resende (RJ), além de cidades do Nordeste como Recife (PE), Maceió (AL) e Arapiraca (AL).  

Foram acumulados mais de 2,2 milhões de frames de vídeo, com imagens capturadas por câmeras de baixo custo e dados de sensores inerciais, como acelerômetros e giroscópios.  

Essas informações alimentam o treinamento de algoritmos de classificação, que conseguem distinguir diferentes tipos de vias, como asfalto, paralelepípedo ou estrada de terra, mesmo em condições adversas, como condução noturna ou chuva. 

Veronica Teichrieb, coordenadora do projeto, professora e pesquisadora da UFPE.

Na competição interna de inovação da Volkswagen, denominada Hack-a-Truck, a solução foi embarcada em um caminhão e circulou por trajetos operacionais, gerando análises em tempo real.  

O projeto foi finalista do concurso e já é reconhecido como uma solução demonstrada em ambiente operacional, alcançando o Nível de Maturidade Tecnológica ou TRL (Technology Readiness Level)  7, superando a previsão inicial de chegar ao TRL 6. 

Atualmente, os testes estão sendo realizados em condições ainda mais desafiadoras, incluindo condução noturna e durante a chuva. O processamento de dados é feito em nuvem, para melhorar a robustez da solução. “O sistema está apresentando resultados bastante positivos, demonstrando sua capacidade de operar em cenários reais e complexos”, afirma Veronica Teichrieb. 

Impactos para o setor automotivo

A tecnologia desenvolvida pelo projeto ROAD permite a oferta de serviços de manutenção preditiva altamente personalizados, baseados em dados reais das condições de operação de cada veículo. Essa abordagem diminui a ocorrência de falhas mecânicas, antecipa intervenções necessárias e otimiza o uso de componentes, reduzindo custos e aumentando a segurança no tráfego. 

“Hoje, a maioria das manutenções é feita com base em parâmetros fixos, como o limite de 10 mil quilômetros entre trocas. Nosso sistema propõe uma mudança radical nesse paradigma, ajustando os planos de manutenção, de modo a considerar o esforço real enfrentado pelos veículos nas vias brasileiras”, explica Frederico Guimarães, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador técnico da Linha VI – Conectividade Veicular, do programa Mover. 

Outro ponto importante destacado por Frederico Guimarães é que a tecnologia tem potencial para ser ampliada para outros tipos de veículos, indo além do objetivo inicial, que é o uso embarcado em caminhões. Dessa forma, o recurso poderá ser utilizado por automóveis e ônibus, promovendo avanços para a cadeia de transporte.

Parceria e inovação

A colaboração entre o setor acadêmico e a indústria é um dos pilares do projeto ROAD, permitindo que a tecnologia possa ser aplicada de forma efetiva e escalável no mercado.  

Frederico Guimarães acrescenta que a interação com as empresas é um dos destaques do projeto. “Fazemos reuniões periódicas tanto com o conjunto de empresas parceiras quanto com cada uma individualmente, o que possibilita ajustes estratégicos em tempo real e garante que os resultados gerados sejam realmente relevantes para o mercado”, afirma. 

A relação com montadoras fornece insumos que norteiam a evolução tecnológica do projeto. Além disso, a participação de engenheiros e especialistas das indústrias no desenvolvimento possibilita que as soluções sejam compatíveis com os desafios reais do setor, promovendo um tipo de validação da tecnologia. 

O caminho para a comercialização  

O projeto ROAD se encontra na reta final da fase de validação, com foco em testar a tecnologia em diferentes condições ambientais e operacionais. “O próximo objetivo é finalizar as validações em cenários de alta complexidade, garantindo que o sistema seja robusto e confiável em qualquer condição”, explica o coordenador técnico da Linha VI, Frederico Guimarães. 

Outro ponto importante é a conclusão das interfaces de acesso aos dados para facilitar a integração da solução com os sistemas das equipes de manutenção das empresas parceiras. “Queremos que essa tecnologia seja adotada no dia a dia das operações, sendo acessível e de fácil implementação”, reforça a professora e pesquisadora da UFPE, Veronica Teichrieb. 

Além disso, também está prevista a publicação dos resultados em periódicos científicos e registro de patentes. “Temos o objetivo de dar continuidade ao ROAD, focando agora na integração completa da tecnologia com o veículo e com plataformas digitais, o que promoverá o aumento do TRL e a disponibilização de novos serviços associados à manutenção preditiva”, completa Teichrieb.  

Outro objetivo é que, no futuro, a pesquisa contemple o aumento da diversidade de sensores e promoção um entendimento ainda mais refinado sobre os tipos de via, diferenciando, por exemplo, os diversos tipos de asfalto. Essa evolução deve ampliar ainda mais o impacto do projeto. 

Ao final do projeto, é esperado que as tecnologias desenvolvidas estejam não só validadas em cenários reais, mas também prontas para produção e comercialização em larga escala, contribuindo para uma mobilidade mais segura e inteligente em todo o Brasil. 

Sobre a Linha VI – Conectividade Veicular

A Linha VI – Conectividade Veicular busca promover a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação (PD&I) em conectividade veicular, contribuindo para o desenvolvimento industrial e tecnológico do setor automotivo e sua cadeia de produção, em todo o território nacional.  

A iniciativa estimula a produção de tecnologias em quatro principais áreas temáticas: Conectividade: Meio ambiente e Descarbonização; Conectividade dos Veículos com o Ambiente Externo; Tecnologia da Privacidade e Segurança de Dados; e Serviços, Diagnóstico e Manutenção Preditiva de Veículos. Todas essas temáticas serão trabalhadas em 3 eixos: Projetos de PD&I; Programa de Aprendizado Federado; e Desenvolvimento de Competências. 

Liderada pela Fundep, a Linha de Conectividade Veicular tem coordenação técnica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

  

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