Fundep anuncia nova Chamada para adesão de empresas ao projeto de unidade de nitretação a plasma

Categoria: Linha IV

Estão abertas as inscrições para a 2ª Chamada Pública para participação de empresas no projeto que irá desenvolver uma unidade de tratamento por nitretação a plasma . Essa é a nova etapa do projeto “Núcleo de Competências em Engenharia de Superfícies para Ferramentarias do Setor Automotivo”, desenvolvido por meio da Linha IV – Ferramentarias Brasileiras Mais Competitivas, do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), que é coordenada pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep).  

Executado pelo Laboratório de Materiais (LabMat)  da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a iniciativa está em sua terceira e última fase. O objetivo é desenvolver uma unidade de tratamento de superfície por nitretação a plasma voltada para ferramentas de estampagem de grande porte utilizadas pela indústria automotiva.

Com conclusão prevista para 2027, o investimento total estimado é de aproximadamente R$ 17 milhões. 

As inscrições ficam abertas até 10 de setembroPodem participar empresas com atuação na cadeia automotiva e em segmentos industriais com demandas similares em tratamento de superfícies, interessadas em acompanhar, testar ou aplicar a tecnologia desenvolvida. 

O professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina, Cristiano Binder, coordenador geral do projeto, explica que as primeiras fases do projeto foram de planejamento, estruturação e desenvolvimento da tecnologia. “Foi a partir da participação das empresas que pudemos ter uma dimensão muito clara das demandas, das limitações e dos problemas que essas empresas enfrentam. O projeto já nasceu muito bem estruturado e com uma base muito sólida, com bons contornos e limites, suportada por essas empresas parceiras”, comenta.

Parceria para o avanço setorial

A ausência de soluções nacionais para a nitretação de superfícies em ferramentais de grande porte tem impacto direto na competitividade da indústria brasileira. A dependência de tratamentos realizados no exterior eleva custos, alonga prazos e limita a capacidade de resposta das ferramentarias às exigências técnicas de montadoras e sistemistas. 

O projeto “Núcleo de Competências em Engenharia de Superfícies para Ferramentarias do Setor Automotivo” foi estruturado para responder a essa demanda setorial. Desde o início, a proposta de desenvolvimento do maquinário contou com participação das empresas. Essa interação auxiliou na compreensão dos requisitos técnicos, especificações de montadoras e condições reais de produção. 

Com a etapa de desenvolvimento avançada e os resultados laboratoriais concluídos, o projeto entra na fase de validação tecnológica e aplicação em mercado. “Já temos um processo tecnicamente adequado, com análise de custo, precificação e atratividade de negócio bem estabelecidas. Agora, a gente quer avançar para um cenário de uso real, com empresas utilizando a tecnologia em condições próximas às de produção. É uma possibilidade de usufruir de uma planta industrial instalada, pronta e disponível para ser explorada pelo setor”, explica Cristiano Binder. 

O analista de Programas da Fundep, Tiago Duarte, destaca o papel do projeto para a ampliação da capacidade tecnológica nacional. “Ao reunir empresas, infraestrutura e conhecimento técnico em torno de uma solução ainda inexistente no país, a iniciativa cria condições para que a indústria automotiva avance em eficiência e qualidade em tratamento de superfícies para peças de grande porte, reduza custos associados à dependência externa e eleve o padrão técnico dos processos produtivos e de engenharia”, afirma. 

Fortalecimento da indústria nacional 

As equipes envolvidas no projeto “Núcleo de Competências em Engenharia de Superfícies para Ferramentarias do Setor Automotivo” acompanham a fase final de fabricação do maquinário de grande porte destinado ao tratamento de superfícies por nitretação, cuja conclusão está prevista para o meio deste ano, quando terão início os testes em ferramentais reais, em ambiente industrial. 

Um dos principais diferenciais da iniciativa é o alto grau de nacionalização da tecnologia. A máquina em desenvolvimento alcança cerca de 91% de componentes nacionais, o que representa uma redução expressiva de custos em comparação à importação integral do equipamento. “Isso cria autonomia tecnológica e resolve um problema recorrente, que é a dependência de assistência técnica localizada na Europa ou na Ásia, que impacta diretamente a produção e gera prejuízo financeiro”, afirma o coordenador. 

Além de atender às demandas do setor automotivo, a solução desenvolvida tem potencial de aplicação em outros segmentos industriais, como aeronáutica e indústria de base, que enfrentam desafios semelhantes. “São setores que também importam tecnologia e sofrem com a falta de soluções nacionais para etapas críticas da produção”, observa Binder. Como efeito secundário, ao ampliar o número de empresas envolvidas, o projeto fortalece não apenas a cadeia automotiva, mas também outros nichos industriais estratégicos. 

Outro eixo central é a formação de recursos humanos, já que o projeto mobiliza profissionais de diferentes áreas. “A formação de pessoas é um entregável muito relevante. Ao final do projeto, teremos profissionais capacitados que vão atuar na indústria, contribuindo para geração de empregos com alto potencial de especialização”, destaca o pesquisador. 

Avanços do projeto e próximos passos 

O projeto está estruturado em três fases. A primeira, já concluída, concentrou-se no desenvolvimento em laboratório, com validação técnica dos processos. A segunda fase, em andamento, envolve a construção, instalação e comissionamento da máquina de grande porte. A terceira fase prevê a exploração dos resultados, com prestação de serviços ao setor por um período mínimo de um ano, a custos reduzidos e atrativos. 

“A ideia não é prestar serviço de forma permanente, mas criar um ambiente de transição, que permita ao setor absorver a tecnologia e se estruturar em diferentes modelos de negócio”, explica Binder. Durante esse período, a planta industrial instalada ficará disponível para uso do ecossistema, ampliando o acesso à tecnologia e reduzindo custos de tratamento de superfícies no país.

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As estimativas indicam que a economia gerada para o setor, considerando o uso intensivo da máquina, pode compensar integralmente o investimento realizado no projeto. “A redução de custo por quilograma tratado, ao longo desse período, já pagaria o projeto, o que mostra a relevância econômica dessa iniciativa”, afirma o coordenador. 

Com resultados laboratoriais consolidados, máquina em fase final de construção e estrutura industrial preparada, a nova fase da Chamada de Nitretação para Adesão de Novas Empresas reforça o caráter coletivo do projeto. A ampliação da participação empresarial é vista como estratégica para consolidar a entrega setorial, fortalecer a indústria nacional, reduzir a dependência tecnológica externa e criar bases sólidas para o futuro da engenharia de superfícies no Brasil. 

Sobre a Linha IV 

A Linha IV – Ferramentarias Brasileiras Mais Competitivas tem como propósito superar os desafios enfrentados por ferramentarias com baixa produtividade e defasagem tecnológica. O foco é capacitar a cadeia de ferramentais de produtos automotivos, visando alcançar competitividade em nível global.  

Alinhada ao compromisso de neoindustrialização, centrada na inovação, a frente de atuação concentra suas iniciativas na otimização de prazo, custo e qualidade ao longo das diferentes fases do ciclo de vida de produção de ferramentais. Dessa forma, busca-se capacitar as ferramentarias brasileiras não apenas para atender à demanda nacional na fabricação de veículos, mas também para conquistar uma posição destacada no mercado global.  

Liderada pela Fundep, a Linha IV tem coordenação técnica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). 

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